Como me tornei muçulmano

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Como me tornei Muçulmano

 

Muhammad Al-Falac  (Expedito F. Gonçalves – médico-cardiologista. Presidente da ABMRN – email:  alfalac@hotmail.com)

 

Filho de pais cristãos católicos, quando criança estudei em colégio católico (Salesiano). Apesar dessa formação, sempre tive minhas dúvidas sobre o que pregavam em relação ao cristianismo.

 

Em meditava: “se Deus tudo criou todo o Universo e tem poder sobre tudo que Ele criou, porque precisaria vir a terra pessoalmente ou se tornando carne através de uma de suas criaturas, sentir as mesmas necessidades que elas e depois morrer? Deus, sendo Onisciente e Onipotente, precisaria disso para saber e perdoar as nossas maldades?”

 

Com essas dúvidas e outras mais, sem um diálogo proveitoso com os professores, padres e mestres do catolicismo acabei me afastando dessa e de qualquer outra religião, mas permaneci acreditando numa força criadora de tudo.

 

Já na idade adulta, uma certa madrugada, acordei e vi pela janela da sala uma estrela solitária que brilhava bem próximo da lua. A beleza dessa imagem no céu que amanhecia me fez escrever algo sobre o Criador, aquela força que eu sabia ser a origem, a base, a verdade e o sustentáculo de tudo o que existia. Não lembro mais os detalhes desse texto, a cópia perdeu-se entre muitas outras anotações que sempre fiz sobre minhas dúvidas e inquietações em relação ás religiões, a fé e a forma como Deus era apresentando a mim e às pessoas que eu conhecia. Mas, a imagem que vi no céu, naquela madrugada, nunca saiu da minha lembrança.

 

Pouco tempo depois disso, ocorreram os grandes atentados terroristas do 11 de setembro nos Estados Unidos.

 

Em meio ao noticiário, uma reportagem fazia uma relação entre o que ocorreu e o Islam, apresentando essa religião, sobre a qual eu pouco ouvira falar e da qual não tinha lido qualquer coisa, como “uma religião violenta, de fundamentalismos e extremistas”. Eu fiquei, inicialmente, abismado com o que o noticiário dizia. “Então – eu me perguntava – uma religião é capaz de orientar seus adeptos a realizar tamanho ato de violência, tirando vidas inocentes?”

 

E teria acreditado que a resposta para essa questão era positiva, ficando com a impressão negativa que o noticiário pretendia passar ao público sobre o Islam, se no meio das imagens não tivesse visto o símbolo da lua crescente e da estrela. Era a mesma imagem que eu tinha visto naquela madrugada… Essa “coincidência” foi suficiente para despertar em mim o interesse por conhecer mais sobre o Islam, sobre quem seriam os muçulmanos e o que dizia a religião que eles seguiam.

 

Não me contentei com o que me diziam os noticiários da TV, dos jornais e das revistas sobre o Islam. Providenciei livros de autores que são reconhecidos como isentos, historiadores e pesquisadores das ciências religiosas sérios, e eles me falaram – através dos seus textos – de uma religião totalmente diferente daquela que estava sendo associada aos autores dos atentados. O Islam que descobri e comecei a aprender, com esses autores, é uma religião de uma espiritualidade profunda; de uma conduta moral e ética apurada e condizente com o mundo e as necessidades materiais e psíquicas da humanidade; de uma responsabilidade social com a igualdade, com a justiça, com a caridade.

 

Consegui um Alcorão, o livro sagrado do Islam, e comecei a ler a Revelação de Deus para o Profeta do Islam, Mohammad (que a paz e a benção de Deus estejam com ele), através do anjo Gabriel. Descobri ensinamentos maravilhosos; uma doutrina de paz, amor justiça e de dedicação há um único Deus, sem semelhantes a Ele. Conheci a profundidade espiritual das palavras do profeta Muhammad (s.a.a.s.), e o elo existente entre Deus e suas criaturas quando oram.

 

As minhas dúvidas, sobre religião e sobre o que me diziam do Islam, assim como aquela imagem que vi naquela madrugada, estavam corretas. Entrei em contato com o Centro Islâmico de Recife – na época, em 2002, não havia uma comunidade organizada nem eu conhecia outros muçulmanos em Natal – e pedi mais livros, mais material para estudos. Até que naquele mesmo ano resolvi fazer minha shahada, testemunhando que “não há divindades além de Deus e Mohammad é seu profeta”, diante do sheikh Mabrouk que, gentilmente, veio a Natal me ouvir e me orientar.

 

Como eu, homens e mulheres devem ter as mesmas dúvidas e devem fazer as mesmas buscas pela verdade que eu fazia. Se Deus quiser, esses homens e mulheres poderão vir a conhecer profundamente o Islam.Muitos tentam denegrir esta religião sem ter o conhecimento, só pela ignorância ou aversão (animosidade).

 

Tornei-me muçulmano por convicção acreditando em suas orientações e na sua espiritualidade, que deverá ser luz para toda a humanidade. Deus nos guia no momento em que Ele quer, com o nosso consentimento, pelo amor, pela piedade e pela misericórdia.

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2 thoughts on “Como me tornei muçulmano

  1. Maravilhoso texto.Hoje pela manha me decidi ir a mesquita proxima para me converter ao isla.,a religiao verdadeira.Que bom encontrar este relato tao sincero.

  2. Estou tão cansada deste mundo de ilusões e mentiras, vivi um casamento doloroso e atribulado, tenho buscado no Alcorão, em partes que eu encontro aqui na internet, um alento, uma esperança. fiquei feliz em saber que aqui em Natal tem uma Mesquita, pensei que teria que ir para Recife para conhecer uma, estou pensando seriamente em minha reversão, vai ser difícil enfrentar minha família, mas o Islã me mostra o modo real de como as mulheres devem ser tratadas em seus casamentos, fico feliz por está conhecendo o Islã, mas fico triste por não ter conhecido a mais tempo. Espero em breve estar com vocês.

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