O sistema moral no Islam

+A | -A


O SISTEMA MORAL NO ISLAM

O Islam estipula Direitos Universais e primordiais para a humanidade como um todo, para serem observados e respeitados sob todas as circunstâncias. Para alcançar esses direitos, o Islam oferece uma proteção não apenas uma proteção legal (a sharia ou lei derivada dos ensinamentos do Alcorão), mas também um sistema moral extremamente efetivo.

Assim, aquilo que conduz ao bem-estar do indivíduo ou da sociedade é moralmente bom no Islam, e aquilo que injurioso é moralmente ruim. Essa é a “regra de ouro” básica, mas o Islam dá tanta importância ao amor a Deus e ao homem que também previne – e essa advertência está fixada por Deus no Alcorão Sagrado – contra os excessos de formalismos.

No Livro da Sabedoria (O Alcorão) lemos: “A virtude não consiste só em que orienteis vossos rostos até o levante ou o poente. A verdadeira virtude é a de quem crês em Deus, no Dia do Juízo Final, nos Anjos, no Livro e nos Profetas; de quem distribui seus bens em caridade por amor a Deus, entre parentes, órfãos, necessitados, viajantes, mendigos e em resgate de cativos. Aqueles que observam a oração, pagam o zakat[1], cumprem os compromissos contraídos, são pacientes na miséria e na adversidade ou durante o combate, são os verdadeiros fiéis e são os que temem a Deus” – Surata 2, versículo 117

Essa não é apenas a mais bela, mas também a mais completa discrição de quem são e como agem os virtuosos e tementes a Deus. Ele não deve apenas seguir, no âmbito privado, as regras de uma vida saudável, no plano espiritual e material, mas também fixar sua atenção no amor a Deus e no amor aos seus semelhantes, agindo com responsabilidade social, moral e justamente. Esquematizando o que nos diz o versículo, temos quatro pontos principais:

1 – nossa fé deve ser verdadeira e sincera;

2 – devemos estar preparados para demonstrá-la em atos de caridade para com nossos semelhantes;

3 – devemos ser bons cidadãos, mantendo as organizações sociais e cumprindo com nossos compromissos assumidos;

4 – nossa alma individual deve ser firme e inabalável em todas as circunstâncias.

Este é o modelo pelo qual um modo de conduta particular é julgado e classificado como bom ou mau. Se atentarmos para os benefícios pessoais e sociais que tal modelo preconiza, seremos obrigados, de forma sincera, a admitir que ele não apenas é verdadeiro e útil dentro de uma sociedade islâmica, mas em toda e qualquer sociedade. Isso porque, tal modelo proporciona os núcleos ao redor dos quais as diversas formas de conduta devem girar.

Antes de estipular qualquer injunção moral, o Islam procura implantar firmemente no coração humano a convicção de que seus negócios são com Deus, que o vê todo o tempo e em todos os lugares; de que ele pode se esconder de todos, mas não pode se esconder D’Ele; de que pode enganar a qualquer um, mas não consegue enganar a Deus; de que pode até escapar da Justiça terrena, mas não conseguirá se livrar das malhas de Deus.

Ao determinar o aprazimento de Deus como objetivo da vida humana, o Islam forneceu o mais alto modelo possível de moralidade. Isto é determinado para proporcionar vias ilimitadas para a evolução moral da humanidade. Ao transformar as revelações divinas na principal fonte de conhecimento sobre a moral, o Islam dá permanência e estabilidade aos modelos morais que propiciam oportunidades razoáveis para um ajustamento genuíno, adaptações e inovações no comportamento humano e das sociedades, mas não para perversões e/ou variações selvagens, relativismos atomísticos ou fluidez moral. Ele propicia uma sanção à moralidade no amor e temor a Deus, o que impede o homem a obedecer a essa moral, mesmo sem qualquer pressão externa. Por intermédio da crença em Deus e no Dia do Juízo Final, o Islam oferece uma força que capacita o indivíduo a adotar a conduta moral como seriedade e toda devoção do coração e da alma.

O sistema moral no Islam não procura, através de uma falsa impressão de modernidade, originalidade e inovações, propiciar “novas virtudes morais”, assim como não minimiza a importância das bem conhecidas normas morais que sustentaram o progresso da humanidade ao longo dos tempos. Todavia, não relativiza umas em comparação com outras, dando mais importância a estas e negligenciando aquelas sem qualquer motivo a não ser o dos “modismos”. O modelo de moralidade islâmica adota todas as virtudes conhecidas e, com um senso de equilíbrio e proporção, estipula o local adequado e a função para cada uma delas no esquema da vida. Dessa foram, o âmbito da existência individual e coletiva do homem é ampliado. Suas associações domésticas, sua conduta cívica e suas atividades nos domínios políticos, econômicos, legais, educacionais e sociais são integradas e harmonizadas como um todo coerente.

Esse é o objetivo e o sentido de compreender o Islam como uma religião que abrange a vida dos muçulmanos e muçulmanas desde o lar até à sociedade, desde a mesa de jantar até às lides do trabalho, em época de paz e em tempo de guerra… Literalmente, desde o berço até à sepultura. O Islam torna o reino da moralidade suprema algo viável e assegura que os assuntos da vida, ao invés de serem dominados por desejos egoísticos e interessantes conflitantes e menores, podem e devem ser regulados por normas justas, equitativas, socialmente responsáveis e espiritualmente benéficas para todos.

Um aspecto importante, em tal sistema de moralidade, é que ele implica não só na prática individual, mas também na responsabilidade de qualquer um e de todos em orientar, esclarecer e – se for o caso – erradicar e proibir o que é moralmente errado e/ou danoso para a sociedade. Os meios para isso privilegiam a educação, o diálogo, o conhecimento. O objetivo é que prevaleça o veredicto da consciência, em cada um, e a virtude não seja socialmente dividida para ficar em segundo plano, ou seja, como algo que é incapaz de evitar o mal.

Alguns tópicos, em seguida, ilustram a visão da moralidade islâmica e como ela deve ser dar na prática.

O temor a Deus e a conduta dele resultante

Essa é a mais alta virtude de um muçulmano, como nos diz o Alcorão Sagrado: “O mais honrado dentre vós, ante Deus, e o mais temente” – Surata 49, versículo 13.

A humildade, a modéstia, o controle das paixões e dos desejos, a veracidade, a integridade, a paciência, a perseverança e o cumprimento das promessas feitas são atitudes e valores morais acentuados de maneira especial e constante no Alcorão Sagrado, que nos diz: “Deus aprecia os perseverantes” – Surata 3, versículo 146; e ainda, “Emulai-vos em obter indulgência de vosso Senhor e um Paraíso cuja amplitude é igual à dos céus e da terra e que está preparado para os tementes, que fazem caridade tanto na prosperidade como na adversidade; que repelem a cólera; que indultam o próximo. Sabei que Deus aprecia os benfeitores”- Surata 3, versículos 133-134.

Em outra parte, na Surata 31, versículos 17 a 19, Deus diz: “Observa a oração, recomenda o bem, proíbe o ilícito e sofre pacientemente tudo que te suceda, porque isto é firmeza (de propósito na condução) dos assuntos. E não vires o rosto á gente, nem andes insolentemente pela terra, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum. E modera teu andar e baixa a tua voz, porque o mais desagradável dos sons é o zurro dos asnos” .

Os ensinamentos do Islam a respeito das responsabilidades sociais são baseados na bondade e na consideração para com os outros, uma vez que uma ampla jnjunção para sermos bons é igualmente ignorada em situações específicas. O Islam dá ênfase a atos específicos de bondade e define as responsabilidades e os direitos em vários tipos de relacionamentos.

Nos círculos das nossas relações, em primeiro lugar estão as obrigações com a nossa família, pais, maridos ou esposas e os filhos. Depois, vem nossas obrigações com outros parentes, seguindo-se os vizinhos, amigos e conhecidos, órfãos, viúvas, necessitados, outros muçulmanos e todos os outros homens e mulheres, assim como para com os animais, árvores e tudo o mais da Criação de Deus.

Sumariando a conduta do muçulmano, o Profeta (que a paz e  benção de Deus estejam com ele), disse: “Meu Senhor me deu nove mandamentos: a sinceridade, quer privativa, que publicamente; o falar equitativamente, quer esteja zangado ou alegre; o mostrar moderação na pobreza e na riqueza; o perdoar a quem foi injusto comigo; o reatar a amizade com aquele que a quebrou comigo; o dar a quem me recusa; que meu silêncio deva ser ocupado com pensamentos; que meu olhar deve ser admoestação; que minhas palavras sejam de recordação a Deus”.



[1] Zakat é um tipo de “imposto” que o muçulmano paga anualmente, uma alíquota de 2,5% calculada sobre seus bens e riquezas, descontadas todas as suas despesas com sustento dele e da família e obrigações com terceiros (como dívidas, serviços, alugueis etc). Esse dinheiro é destinado a obras sociais, ajuda aos muçulmanos pobres e/ou trabalhos pelo Islam.

585
votar
Thanks!
An error occurred!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *