As condições para o verdadeiro jejum

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O Profeta Mohammed apontou, de várias maneiras, o verdadeiro espírito do jejum, e explicou que ficarmos com fome e com sede, ignorando o espírito da coisa, não tem valor algum aos olhos de Deus.

1)abster da falsidade

Uma vez ele disse: “Se o indivíduo não deixar de falar coisas falsas e não deixar de agir segundo elas, Deus não quererá que ele deixe de comer e de beber.” (Bukhari)

Numa outra ocasião ele disse: “Muitas são as pessoas que jejuam, mas que nada ganham com isso além de fome e sede; e muitos são os que ficam acordados orando toda a noite e nada ganham com isso a não ser atraso de sono.” (Darimi)

As lições são claras e inequívocas: o ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração. A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando perpetrar atividades que O agradem, e refreando-nos quanto à indiscriminada atividade dos desejos materiais. Se não fizermos isso, estaremos simplesmente causando uma inconveniência desnecessária aos nossos estômagos.

2) Fé e auto-escrutínio

O Profeta chama a atenção para uma outra meta do jejum: “Todo aquele que observar o jejum, acreditando nele e dando importância a ele, terá perdoados os seus pecados passados” (Bukhari e Muslim)

Acreditar significa que a fé em Deus deverá permanecer viva na consciência do muçulmano. Darmos importância significa que deveremos buscar apenas o aprazimento de Deus, vigiando constantemente os nossos pensamentos e as nossas ações, para nos certificarmos de que nada estaremos fazendo que seja contrário ao Seu aprazimento. A observância desses dois princípios irá proporcionar a rica recompensa de os nossos pecados passados serem perdoados. A razão é óbvia: mesmo que outrora tivéssemos sido desobedientes, teremos voltado, plenamente arrependidos, para o nosso Mestre; e “Um penitente será como um que, por assim dizer, jamais cometeu o pecado”, como disse o Profeta (Ibn Mája)

3) Um escudo contra os pecados

Em outra ocasião o Profeta disse: “O jejum é como um escudo (para a proteção dos ataques de Satanás).” Assim sendo, quando alguma pessoa observa o jejum, deve usá-lo (esse escudo), e se abster de discutir. Se alguém com ela discutir, deverá simplesmente dizer: “Irmão, eu estou jejuando; e não esperes que eu me envolva em semelhante procedimento.” (Bukhari e Muslim)

4) A fome pela bondade

O Profeta (S) uma vez deu orientação no sentido de que o homem, enquanto jejuando, deverá desempenhar mais trabalho do que o usual, e desejar ardentemente realizar atos de bondade. Compaixão e solidariedade para com seus irmãos deverão intensificar-se em seu coração, porque, estando ele no paroxismo da fome e da sede, estará mais capacitado a se conscientizar da miséria dos outros servos de Deus que são destituídos.

No mês de Ramadan, aquele que providenciar comida para que outro quebre o jejum, terá os seus pecados perdoados, o livramento do Fogo, bem como a recompensa de um que esteja jejuando, sem qualquer redução da recompensa deste. (Baihaqui)

Abdullah Ibn Abbas conta que o Profeta costumava tornar-se extraordinariamente bondoso e generoso durante o mês de Ramadan. Nenhum pedinte, naquele período, saía da sua porta com as mãos vazias; e tantos escravos quanto fosse possível eram libertados. (Baihaqi)

Como se Consegue o Melhor do Jejuar?

A força espiritual não poderá ser obtida com o jejuar, se a pessoa que guarda o jejum não estiver cônscia do propósito dele, e não permitir que ele lhe impregne o coração e a mente e que lhe domine os pensamentos, os feitos e a motivação.

Eis porque Deus, após ordenar o jejum, disse que ele seria obrigatório a nós, “Para que estejamos cônscios de Deus” – la ‘allakum tat-taqun.

Notemos que não há garantia de que estejamos cônscios de Deus e de que sejamos corretos. Apenas alguém que reconheça o propósito do jejuar e porfie por alcançá-lo, receberá as suas bênçãos; alguém que não o faça não poderá esperar ganhar nada com isso.

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